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“Priscilla” chega aos cinemas: a história de um Presley, mas não aquele que canta

by Deivid Levy

Todos sabem que Elvis Presley é um assunto inesgotável.

Quantas vezes você ouviu esse nome nos últimos anos? Existem documentários de Elvis Presley, uma série de Elvis Presley, uma ficção de Elvis Presley.

E, se não fosse o bastante, em 2022 os cinemas foram presenteados em com mais uma produção com seu nome estampado na capa: “Elvis” (2022), de Baz Luhrmann, uma cinebiografia do ícone pop que conta a história da sua ascensão narrada pelo Coronel, o produtor e agente do cantor. Um filme íntimo, apesar de inclinado para a celebração do cantor, e, é claro, cheio de música. 

Porque um filme do Elvis jamais poderia ser produzido sem músicas do Elvis, correto?

Com o tema voltando à tona nos últimos tempos, é claro que 2024 não passaria em branco e já nos primeiros dias do ano os cinemas recebem outro filme bibliográfico que mergulha nas histórias e polêmicas da família Presley. O filme apresenta os relatos da vida amorosa do casal Priscilla e Elvis Presley, dessa vez contados pelo ponto de vista da esposa.

Em uma das raras ocasiões que os holofotes ousam desviar do garoto de topete, o público vai ao cinema com a expectativa de ver mais Priscilla e menos Elvis em tela, porém, dificilmente imaginavam que sairiam da sala de cinema aquela noite sem ouvir uma música sequer do cantor.

“Priscilla”, o filme dirigido e co-produzido pela ganhadora do Oscar Sofia Coppola, conta a história da jovem Priscilla Beaulieu, uma adolescente que ainda frequenta a escola e vive sob as regras rígidas dos pais, mas que veria o rumo da sua vida mudar após aceitar um convite para a festa na casa do famoso cantor Elvis Presley. Coppola escreveu o roteiro desse filme com a co-autoria da Priscilla Presley em pessoa, que, dessa maneira, teve a oportunidade de contar a sua perspectiva dos fatos e desconstruir a fama de “americano perfeito” criada pela mídia em favor do Elvis, mas sem macular a memória do ídolo.

É fato que a narrativa centrada na Priscilla pode chocar, talvez até ofender, os mais fanáticos, mas apesar dos holofotes caírem todos sobre ela, ainda sobram alguns lampejos de luz para o cantor, que não é deixado para trás em nenhum momento da narrativa. Não é que Priscilla não seja nada sem Elvis (ou vice versa), mas Coppola não mede esforços para mostrar a simbiose e a interdependência dos dois como elemento central da sua abordagem.

Mas por que nenhuma música do Elvis? 

A resposta é simples: desentendimentos entre a produtora do cantor e a família. O espólio de Elvis Presley, através da empresa Authentic Brands Group, não aceitou a oferta da produção para liberar os direitos musicais. 

Entretanto, Sofia Coppola contornou esse problema com maestria e, caso me perguntassem se a falta dessas músicas enfraqueceu o filme, eu responderia que não. Na verdade, isso pode ter contribuído para o enriquecimento do filme e para torná-lo ainda mais único.

A trilha sonora do filme é diversa e inclui grupos musicais e cantores como Ramones, The Righteous Brothers, Spectrum, The Orlons, entre outros.

Resumindo, “Priscilla” não precisou de músicas de Elvis, porque é sim um filme sobre um Presley, mas não sobre aquele que canta.

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